Desafios da educação superior indígena no Amazonas

Desde 2005, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) oferece cota para indígenas, em 46 cursos disponíveis. Para avançar nas políticas públicas de inclusão destes povos e responder a questões como o tipo de auxílio que deve ser concedido àqueles que saem das aldeias para estudar na cidade.
 
O atual cenário da educação superior indígena aponta a formação, até este ano, de 89 indígenas em áreas como medicina, enfermagem, direito e administração pela UEA. Um desses estudantes foi Linda Marubo, que concluiu administração pública em 2010 e se especializou em planejamento governamental. Nascida na região do Vale do Javari, entre os municípios de Atalaia do Norte e Tabatinga, ela defende o acompanhamento especial aos estudantes indígenas, principalmente no campo psicológico, por conta das diferenças encontradas pelos alunos.
 
Em oito anos, outros 209 indígenas foram graduados em licenciatura na região do Alto Solimões. Para 2014, a expectativa é formar outros 586 alunos em pedagogia. Este ano, a universidade tem 963 indígenas inscritos para o vestibular, que vão concorrer a 146 vagas e outros 19 pelo Sistema Integrado Seriado (SIS). “Nosso objetivo é ampliar a formação dos nossos egressos. Para 2015 pretendemos aumentar as parcerias para os cursos de especialização”, afirmou o reitor da UEA, Cleinaldo Costa.
 
De acordo com o titular da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), Bonifácio Baniwa, o objetivo do encontro é ouvir estudantes, profissionais formados, antropólogos e pessoas envolvidas na questão indígena, para que essas políticas sejam melhoradas. “Esse é um desafio dentro da universidade e do governo. Porque, em alguns casos, os alunos conseguem entrar na universidade, mas não concluem por conta de dificuldade em estar aqui na cidade. Queremos ouvir os estudantes e discutir o que pode ser melhorado nessa e  em outras questões”.
 
Outra questão que será debatida trata do aproveitamento desses profissionais pelas organizações que cuidam das questões indígenas. Para o antropólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, é necessário que o ensino voltado aos povos indígenas seja adequado a sua realidade. “É preciso que a comunidade tenha controle do indígena que vem para a cidade. Porque muitos vêm e não voltam e é necessário que o ensino não seja voltado para a realidade deles”.
 
FONTE: Portal Amazônia de Notícias

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