Artigo de Nicácio Silva: Zona Franca – Sonho e Pesadelo

O decreto 288/69, assinado pelo então presidente Humberto de Alencar Castello Branco, criando o Modelo Zona Franca, como um empreendimento prioritário na elaboração e execução de um projeto maior do plano de valorização econômica para Estado do Amazonas e para a Amazônia, e que apenas duraria poucos anos, chega aos seus 42 anos de controvérsias.
O anúncio da presidente Dilma Rousseff de que a Zona Franca de Manaus será prorrogada por mais 50 anos, agradou empresários e políticos que sempre fizeram trampolim politiqueiro à custa do Distrito Industrial. Porém o que está em jogo não é a permanência da Zona Franca em Manaus, e sim a iniciativa de buscar outra forma sustentável de desenvolvimento para o Amazonas.
Para o jornalista e escritor amazonense Carlos Costa esse futuro promissor pós Zona Franca pode estar exatamente na exuberante Floresta Amazônica. “Com o desenvolvimento da biotecnologia, um conjunto de técnicas que permite à indústria farmacêutica cultivar microrganismos para produzir os antibióticos que serão comprados nas farmácias do Brasil e do mundo. Contudo, para isso, é necessário uma direção política objetiva e clara nesse rumo”. Ressaltou.
Se o que diz o preclaro escritor, em sua crônica, for a única maneira de estabelecermos um desenvolvimento perene, por meio da exploração de nossos recursos naturais, na biotecnologia, porque não o fazê-lo? Teremos que esperar completar 92 anos para que possamos repensar sobre a finalidade de criar mecanismos capazes de superar as lacunas deixadas pela ZFM?
Para os políticos que visam apenas votos dos trabalhadores do PIM, o anúncio de que o Projeto Zona Franca ainda vai permanecer por mais 50 anos, depois de sucessivas prorrogações, é a certeza que terão palanques para seus discursos pérfidos de não pensar o futuro do Amazonas.
Nicácio da Silva
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